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História PDF Print E-mail
Written by Estagiario   
Tuesday, 02 June 2009 08:20
 

São Vicente de Fora

O local em que actualmente se situa a freguesia foi cenário de acontecimentos importantes na vida de Lisboa. Foi ali, no que hoje se chama Campo de Santa Clara, que os visigodos acamparam antes de a tomar. Foi ali que o rei Afonso, o primeiro de nome, o conquistador, o fundador da nacionalidade, assentou o seu arraial e acertou com os cruzados a forma de a conquistar.
   Afonso Henriques fez o voto de mandar edificar na colina, donde mirava Lisboa ainda moura, uma igreja evocando São Vicente. A cidade foi conquistada em 25 de Outubro de 1147, e nem um mês passara, já era lançada, a 21 de Novembro, a primeira pedra.
O santo e a igreja deram o nome: São Vicente de Fora. De Fora, segundo uns porque o bairro ficava fora das primitivas muralhas godas. Segundo outros porque o mosteiro estava fora da jurisdição eclesiástica do Arcebispado de Lisboa. Os historiadores controvertem-se sobre esta matéria.
São Vicente de Fora é uma freguesia relativamente pequena, quando comparada com as outras cinquenta e duas do município de Lisboa. Tem uma área de 30.6 hectares (só quinze são menores) e mal excede os seis mil eleitores (só dezasseis são menos populosas).
   As suas fronteiras e os seus nomes que a identificavam variaram ao longo dos séculos. Parcelas da sua área administrativa estiveram por vezes integradas nas freguesias se Santa Engrácia, de Monte Pedral, de Santo Estêvão. Já se chamou Escolas Gerais. Os seus actuais limites foram fixados em 1985.
Embora pequena, é geograficamente heterogénea, centrifuga, situada numa encosta, perifericamente confundida com as freguesias vizinhas. Na zona das Escolas Gerais, da Calçada de São Vicente, do Largo de Santa Marinha, com os seus becos, calçadas e travessas, é Alfama de Cima, sobrepondo-se á Alfama do Mar, das freguesias de Santo Estêvão e de São Miguel, que se alcança descendo, em direcção ao santuário do Tejo. Para Poente, junto ás escadinhas de São Tomé, chega-se á freguesia de São Tiago. Subindo as ruas da Voz do Operário ou da Verónica, para Norte, a meio caminho, já se está, quase sem se dar por isso, na freguesia da Graça. A nascente, as ruas Diogo Couto e Vale de Santo António separa São Vicente de Fora de Santa Engrácia. São divisões administrativas freguesias que não separam os que residem nelas, integrados na mesma textura social e cultural. Utilizam os mesmos transportes, compram nas mesmas lojas, frequentam os mesmos locais de convívio.
A freguesia tem como centro o Campo de Santa Clara, ampla área terciarizada e pouco habitada, actualmente com uma forte presença castrense. Ali estão instalados o tribunal militar, as oficinas gerais de fardamento e equipamento com o seu centro comercial, a messe dos oficiais, o hospital da marinha e a direcção da arma de artilharia.    No meio do Campo de Santa Clara está o jardim de Botto Machado, debruçado sobre o estuário do Tejo, local aprazível de lazer e convívio. Mas nem sempre ali predominaram os militares. Em tempos mais recuados a área era ocupada quase exclusivamente por organizações religiosas: o mosteiro de São Vicente, a igreja de Santa Engrácia, que não deve ser confundida com a igreja paroquial de Santa Engrácia, situada na freguesia com o mesmo nome, o Convento de Santa Clara, que deu o nome ao local, o Conventinho, a Ermida e Santa Verónica, e outros.
Como principais edifícios e monumentos, são de referir a igreja de São Vicente de Fora, inicialmente em estilo românico com os exteriores alterações góticas, foi mais tarde arrasada e reconstruída entre 1582 e 1629. É o mais importante monumento português do barroco Filipino. Na sua magnífica frontaria, encontra-se as imagens de Santo Agostinho, São Sebastião, São Vicente, São Domingos, Santo António, São Bruno e São Norberto. No interior do mosteiro estão dois panteões: o dos patriarcas e o da casa de Bragança. Os seus claustros são famosos pelos azulejos que os ornamentam.
   A igreja de Santa Engrácia, o Panteão Nacional desde 1966. a sua construção começou em 1682 mas só foi concluída em 1963. Demorou tantos anos, que deu origem ao ditado popular “é como as obras de Santa Engrácia”, com que se comentam obras que começam e nunca mais acabam. É uma obra monumental, no estilo do barroco italianizado, o interior, com os seus mármores poli cromados, é amplo e faustoso.
O hospital da marinha, antigo colégio de São Francisco de Xavier, construído no Século XVI I pelos jesuítas 1669. Passou ao hospital em 1759.
   A Voz do Operário, construída em 1912, actual seja daquela grandiosa e centenária instituição, que perdura sempre rejuvenescida, fundada em 1893 pelos operários manipuladores de tabaco, actualmente sociedade de instrução e beneficência a Voz do Operário. Surgiu a partir de uma associação mutualista, a união fraternal dos operários dos tabacos, que lançou o primeiro número do seu jornal em 1879. é o edifício que em Portugal melhor representa o estilo neobarroco da arte nova no inicio do século passado.
Foi no actual pátio dos quintalinhos que se instalou, em 1290, a primeira universidade portuguesa. Chamava-se Escolas Gerais e a rua ainda lhe guarda o nome. O Infante D. Henrique, o navegador, foi protector da universidade e ali mandou construir o seu paço.
A urbanização de São Vicente de Fora começou no século XVIII. Alguma nobreza endinheirada escolheu o bairro para a edificação dos seus palácios. Entre outros, pela sua nobreza, merece a referencia: o Lavradio, hoje serve de tribunal militar; o Barcarena, onde está a messe dos oficiais; o Godinho, actual escola municipal; o Teles de Meneses, junto ao largo de São Vicente.
   Não se pode falar de São Vicente de Fora e do seu Campo de Santa Clara deixando esquecida a Feira da Ladra. A feira, velho mercado Lisboeta, remonta ao século XII. Percorreu e repetiu vários locais da cidade, entre outros, o chão da feira, junto ao castelo, o Rossio, a Praça da Alegria, a Campa de Santana, até que a partir de 1882 se fixou definitivamente no Campo de Santa Clara. Funciona ás terças-feiras e aos sábados. Porque se chama Feira da Ladra? Ninguém sabe e os que sobre ela escrevem não se entendem. É uma feira diversificada, em que velharias, artigos usados, quinquilharias se vendem lado a lado com os artigos novos. Comerciantes com locais fixos, ambulantes, jovens que a mais do que o negocio buscam o convívio, compradores ou simples fruidores, todos ali se cruzam .

Last Updated on Tuesday, 02 June 2009 08:23
 

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